segunda-feira, 21 de abril de 2008

Fui ao inferno por R$3

Senhores,
não acreditava na existência do ser maligno, muito menos em que as almas queimavam no fogo do inferno. Mas, mudei de opinião depois conheci o lugar na última sexta e só não abracei o capeta porque ele não quis.

Como não poderia deixar de fazer, irei dividir minha experiência espiritual com vocês.




"O inferno é simples e fácil de se achar. Difícil é encontrar o céu, meu amigo. Lá estava ele, lógico no Rio de Janeiro, subindo a ladeira da Lapa, bem embaixo do último arco. Com placas para todo mundo ver e com preço bem acessível: R$3 homens e mulher de graça até meia-noite, depois R$1 (na minha teoria as mulheres são mais pecadoras, por isso merecem preço vip). Logo na entrada você é marcado, tomado como se fosse um deles. Após pagar, uma pessoa grande, feia e ameassadora pede seu pulso (que ainda pulsa) e carimba, algo que não dá nem para ler (devia estar escrito na língua dos nativos). Como disse, o local é simples e não conta com as verbas do céu, por isso após marcado como bois você é obrigado a entrar por uma cortina feita de uma canga rasgada. O som já era aterrozinte e ao entrar ... fiquei cego. Devia ser um sinal de Deus, pois meus óculos embaçaram e eu não via mais nada. Mas para um aventureiro isso não seria um empecilho. Tirei meus óculos e tive a primeira visão do local: tudo escuro, ao meu lado uma mulher (muito feia) se agachava, enquanto a outra (não dava pra ver o rosto) escondia suas mãos por entre a saia da amiga, cercada por um grupo de homens. Vi que teríamos fortes emoções. Logo percebi que além do carimbo no pulso, os moradores da terra do fogo tinham algo em comum, o uniforme. E não era Prada. Todos sem blusa (as poucas e feias mulheres quase sem também), com a calça jeans caindo e um boné. As mulheres, como em muitas religião, usavam saias, mas como castigo de satanás eram desprovidas de beleza. Quando fiz primeira comunhão, me disseram que o inferno tinha cheiro de enxofre. Descobri que não! O cheiro era mesmo de CC, misturado com cerveja e uma fumaça infernal. Lá todos fazem coreografias e outros se agarram pelos cantos escuros, o que seria bom se você não ficasse com medo de tentar conversar com alguma pessoa. Tentar, porque o som não deixa você escutar nem seus pensamentos. Um amigo que me acompanha, já bêbado, tentou abraçar o capeta, mas sem sucesso. Eu fiquei com medo de levar facada ou ser expulso para um lugar ainda pior. Rodamos segurando a carteira e olhando aquele local. Logo percebi que a promoção era para atrair mulheres, porque lotado de homens pecadores, algumas pobres tinham que entrar para tentar acalmar as almas. Procuramos um pouco de claridade, fomos para perto da canga e corremos para fora. Um alívio do calor. E logo fomos avisados: é só não tirar o carimbo que podem voltar. É ... o diabo é bem hospitaleiro."


Saímos em direção ao posto, onde um carro tocava música gospel (coisas da Lapa), mas não encontramos o céu naquela noite. Esse é mais difícil de achar.

3 comentários:

Anônimo disse...

Amigo, adorei sua noite, hahaha, to rindo muito da sua experiencia no inferno, so vc mesmo p ir nesse tipo de lugar, mas tenho q dizer; saudades da lapa e de tudas as noites loucas q ela proporcina a um nobre aventureiro...
saudades
bjos

Isabela disse...

Uma vez me disseram qo diabo é careta.. mas vai saber né?! Mas depois disso dai...sei não!

Anabelly disse...

Tá no inferno, abraça, kbeção!!!
Bjos para os outros quatro leitores desse blog.