quinta-feira, 17 de abril de 2008

Hum ... que chuchu

Família é mesmo uma coisa engraçada.


De repente abri os olhos e a gritaria tomava conta da minha casa e do meu quarto.
Putz!?! Domingão, friozinho de Friburgo, cobertas, cama, quarto escuro ... e meus pais gritando!
Não, não era uma briga conjugal, era o nascimento. Sim, o nascimento do chuchu.
Faz tempo, minha tia "jogou uma semente no meu quintal, de repente brotou um tremendo matagal". Era um pé de chuchu que se enroscava na escada lá de casa.
Cresceu, cresceu e deu o primeiro fruto e também o primeiro escândalo na manhã de domingo em que eu deveria estar dormindo.

Foi uma tal de acende a luz e: olha que bonitinho ... tá grande, né ... sem agrotóxico ... e tá fora de época. E eu lá, acordado apreciando o chuchu. Acabou a euforia e foram ver se achavam outros. Dormi, em paz.

Como de costume, acordei na hora do almoço. E qual era o prato? (vale um chuchu pra quem acertar) Sim ele e outro irmão ... cozidos. Na boa, nem gosto muito de chuchu, mas tive que provar. E o mais engraçado eram os comentários: "Nunca comi um chuchu tão gostoso","Nem tem gosto de agrotóxico", "Tá uma delícia", "Sente o sabor" ... entre outras pérolas.

Pensei que tava sonhando, porque na moral: CHUCHU NÃO TEM GOSTO. É tudo igual, e assim também era o chuchu lá de casa. Tinha que rir, não podia decepcioná-los e falar mal do chuchu de casa. Restou continuar comendo e ouvindo meus pais falando dos próximos passos: fazer um suflê de chuchu, camarão com chuchu, chuchu com carne seca ...

Haja chuchu!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Meus novos dez mandamentos


Se Moisés fez os dele também posso fazer os meus.
Depois dos mandamentos tchomenos, esses seguirei à risca

1- Viva para descansar
2- Ame sua cama, ela é seu templo
3- Se vir alguém descansando, ajude
4- Descanse de dia para dormir a noite ou para sair a noite
5- O trabalho é sagrado, por isso, não toque nele
6- Nunca faça amanha, o que você pode fazer depois
7- Trabalhe menos possível, o que tiver para ser feito deixe que outra pessoa o faça
8- Calma ... nunca ninguém morreu por descansar
9- Quando sentir desejo de trabalhar, sente-se e espere porque ele passe
10- Não se esqueça trabalho é saúde, então deixe para os doentes.

Quem diria

Caraca ...
Para não comer estou gastando mais dinheiro do que comento. Impressionante!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Diário de um quase morto

Não, isso aqui não vai virar o diário de um gordinho. Não vou ficar narrando aqui minhas peripécias na academia, nem a crises de abstinência da dieta. Mas tenho que contar o que aconteceu hoje.


Fui todo animado para fazer minha avaliação funcional e pegar minha série. Cheguei lá e começa, mede daqui, pesa daqui, aperta aqui até que na tela do computador o professor foi me explicar:

"Sua situação é crítica. Você está fora do peso, sendetário e ainda bebe. Tem histórico de diabetes na família e lesões em partes importantes do corpo. Seu percentual de gordura está elevadíssimo. Pior, o percentual de gordura da cintura está no nível que pode te levar a ter problemas cardíacos, como o infarto. Sua massa muscular é pouca e você apresenta muitos problemas de postura. Sua coluna está em S. Tem escoliose lombar, ombros arqueados, cabeça projetada a frente."

Depois desse discurso que me fez sentir a pior merda do mundo esperava um apoio ou incentivo, mas só veio "Você tem que reverter esse quadro. Nos vemos daqui a dois meses" e ponto final!
Me senti naquela música do Titãs "o pulso ainda pulsa" rs. Pro azar dele eu ainda tô vivo.

Saí de lá quase chorando (rs), pensando que estava estragado e que iria morrer dentro em breve.
Pedi um lanche na cantina e voltei a trabalhar. Amanhã tenho nutricionista. Só Deus sabe o que será.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Dia da mentira

Apesar de ser 1º de abril, não é mentira ...
hoje comecei na academia, fiz 30 minutos de esteira! rs
*João Cabral de Mello Neto
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço.
O amor comeu meus cartões de visita.
O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
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O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas.
O amor comeu metros e metros de gravatas.
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus.
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O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas.
Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X.
Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
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O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia.
Comeu em meus livros de prosa as citações em verso.
Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
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Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete.
Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
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O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas.
Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
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O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. .
Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas.
Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam.
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Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta.
Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão.
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Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte

Cálculo

Segunda-feira: primeiro dia de academia. Avaliação funcional.
Cheguei atrasado, o professor foi embora.

Terça-feira: segundo dia de academia.
Atraso de 10 minutos. Nada de avaliação

Resultado: 2 dias de malhação, 2 dias perdidos