terça-feira, 1 de abril de 2008

Dia da mentira

Apesar de ser 1º de abril, não é mentira ...
hoje comecei na academia, fiz 30 minutos de esteira! rs
*João Cabral de Mello Neto
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço.
O amor comeu meus cartões de visita.
O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
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O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas.
O amor comeu metros e metros de gravatas.
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus.
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O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas.
Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X.
Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
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O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia.
Comeu em meus livros de prosa as citações em verso.
Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
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Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete.
Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
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O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas.
Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
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O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. .
Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas.
Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam.
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Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta.
Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão.
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Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte

Cálculo

Segunda-feira: primeiro dia de academia. Avaliação funcional.
Cheguei atrasado, o professor foi embora.

Terça-feira: segundo dia de academia.
Atraso de 10 minutos. Nada de avaliação

Resultado: 2 dias de malhação, 2 dias perdidos

segunda-feira, 31 de março de 2008

Dever de casa



Quando a professora perguntou qual era seu sonho, permaneceu calado. Foi golpe baixo ou de mestre. A tia era uma daquelas que não cuspia só o pó de giz, mas trazia para a lousa o pó da estrada. Estrada que o pobre sem resposta nunca percorreu e nem percorrerá, senão em pensamentos. O que não podia ser chamado de sonho, porque não podia ir em alta velocidade e nem longe. Estava amarrado. Mas o quê o prendia? Nem ele o sabia. Não era nó de cadarço, esse já sabia fazer de cor e salteado. Muito menos de marinheiro, o pai era pescador. Juntou livros e lápis, dúvidas e respostas e saiu sem mesmo comer a merenda. Tinha que estudar e fazer lição de casa. Era aplicado.

"Perder-se também é caminho"

Clarice Lispector

sábado, 29 de março de 2008

Lembranças de um carnaval

Já passou faz algum tempo, mas outro dia sonhei com isso e tinha que colocar no blog.


Estava bêbado e todo molhado. Havia caminhado quilômetros sob forte chuva. Meu amigo não agüentava comer, só conseguia beber. Para não passar mal inventou uma nova técnica: roubar batatas fritas do restaurante, chupar o sal e arremessá-las nas pessoas da rua. Caminhei pela Cinelândia mijada, pela Lapa ressaqueada, peguei um ônibus e cheguei. Em casa? Lógico que não, ao próximo bloco, no Jardim Botânico. Tratei logo de regar as plantinhas do local. De longe, ao me aliviar, contemplava os meus amigos, loucos e fantasiados. Caminhavámos em caravana e encontrávamos outros bêbados pela rua. Aquele clima de carnaval, alegria, cansaço, fígados a todos vapor e fumaça pelo ar. A maioria das pessoas andavam fantasiadas. Colombinas, nadadores, fadas, supensórios legais ou o roupão da tia coloriam a rua. Mas no meio da multidão uma figura se destacou. Não pelo tamanho. Não pela cor. Não pela irreverência, mas pelo o inusitado. Era uma anã. Na verdade, era uma anã japonesa! Juro, não é preconceito, nem é rir da desgraça dos outros (porque nem acho que isso seja desgraça), mas foi engraçado. Levante a mão aí quem já viu uma anã japonesa. Quem? Eu já! E não era delírio de bêbados, nem fantasia de carnaval ... era uma anã japonesa, ou chinesa ou coreana. Imaginem como ficamos lisonjeados com esta visão e logo surgiu o nome daquela visão: BONSAI!

Não, não é maldade, mas carinho.
Tem coisas que só vemos no carnaval

sexta-feira, 28 de março de 2008

Aguardem

Esse final de semana vai ter ...